MUITA ESTIMA – exposição de Hilda Reis

de 7 de Novembro a 28 de Dezembro

Piso 0 – Casa das Artes – Porto

ENTRADA LIVRE

A partir de fotografias órfãs, álbuns perdidos e molduras velhas é criada uma coleção, um álbum inventado.”Os papéis abandonados, os que já não servem ou que perderam quem cuidava deles, perdem também o seu propósito. Os álbuns de fotografias que alguém fez, as coleções de selos, as cartas escritas que alguém guardou, os recortes das revistas.Tenho muita estima por esses gestos. Alguém preservou num determinado momento algo que representa uma memória importante. Depois outro alguém considerou que esses documentos não tinham valor e abandonou-os, deitou fora. Também tenho muita estima pelo gesto do abandonar e deixar o espaço livre para coisas novas.Esse tempo que foi dedicado ao bocadinho de papel emociona-me, é um prolongamento de cada um, como se o nosso corpo para existir precisasse de mais coisas, uma aura de papéis que nos validam, que também somos cada um de nós.Eu guardo as minhas memórias, os meus papéis, e também guardo os papéis dos outros. Quero tratá-los com muito cuidado, como se fosse uma cientista num laboratório que tem de preservar aquela molécula. A molécula da memória.Tenho muita estima por isto tudo e tenho muito honra em ter na minha mão os documentos de desconhecidos. Quero homenageá-los e brinco com eles, como se estivesse a pintar por cima da Mona Lisa.A obra já existia antes do meu gesto e eu estimo muito isso”.

Hilda Reis: Vive em Francelos desde sempre, nasceu nos anos 70 mesmo ao lado da revolução.

Teve uma educação clássica com pais que sempre valorizaram a Arte. Nunca se lançou no mundo das artes até desenvolver uma obsessão por fotografias e molduras. Sem se aperceber, isso começou a comandar o seu quotidiano. As saídas à procura de molduras e de fotografias e sobretudo as horas de fantasia a efabular sobre pessoas e vidas que desconhecia.

É artista amadora porque o tempo que dedica a este trabalho é só mesmo pelo prazer.